Yuppie (Conto)

O Yuppie era conhecido como um dos principais corretores da cidade, aos 27 anos considerado um profissional muito competente, realizado financeiramente, noivo de uma mulher jovem e fitness. Era conhecido nos estabelecimentos mais renomados e sabia degustar menus refinados e escolher os móveis mais indicados para a própria sala… Todos os dias ao acordar por volta da 8 horas fazia 30 minutos de exercícios, como fora indicado pelo médico de confiança, tomava banho frio, lavando os cabelos com shampoo for men antes de comer um desjejum rico em fibras e proteínas, como sugeria a nutricionista estrangeira.

Para garantir a pele macia, usava uma máscara facial de amêndoas por 10 minutos, em seguida hidratava a barba com óleo de argan, antitranspirante nos pés… Camisa importada da China, terno italiano e sapatos suíços, escolhe uma gravata dentre várias da coleção apenas segurando-a pendurada em frente ao espelho… Da cobertura onde morava seguia para outra, na qual exercia sua função…  escritório e secretária individuais prontos para horas dele mesmo… “Diga que não estou” era a frase mais usada… Sentia atração pela funcionária, mas ainda não encontrara a brecha para o sexo casual… Assim, começou a planejar uma forma de manter ela calada após safizfazer-se… a dúvida pairava em duas palavras: “suborno ou assassinato”!?

Naquela sexta-feira, como de costume, encontrou alguns amigos no saguão de espera do Hotel Cesar Palace. Um deles sugeriu uma reserva para o almoço em uma hora: “Não estou com fome, mas devemos fazer uma reserva assim mesmo”… Que tal o Clichê? Sugeriu o Yuppie enquanto bebericava uma dose de seu Favourite Whisky… A cara de dúvida era notável em todos na roda, já que todos sabiam que para aquele lugar era preciso uma semana no mínimo. “Impossível, você sabe”… “Mas eles me conhecem lá”…. Pegou o celular e fingiu ligar e conversar, quando na verdade sua reserva estava feita dias atrás…

Não revelou sua estratégia aos demais, preferiu curtir seu efêmero momento com olhares de respeito. Lá chegando e antes de se sentar, puxou uma pequena carteira de metal, abrindo-a com apenas uma das mão e mostrou seu novo cartão de visitas: “Busquei esta manhã na gráfica”… Sentia-se orgulhoso novamente, escolhera um tom creme e para as letras uma fonte levemente inclinada e cinza chumbo… “Muito bonito, também fiz alguns novos”… Ao analisar a peça, sentiu-se um pouco acuado, notou que era predominantemente azul em vários tons e as informações eram reduzidas ao absoluto necessário.

Um terceiro retirou mais uma do bolso e colocou-o sobre a mesa… Era o cartão do mais notável promotor da cidade… O yuppie sentiu uma criança de mau gosto ao vê-lo… Tinha um tom amarelo claro, as letras em preto com uma fina borda dourada, as pontas eram arredondadas e até uma marca d’água no canto inferior podia ser notada. “Ele está almoçando aqui hoje, no fim do salão”… Sentindo ódio, ele olhou para a mesa e imaginou formas de matar seu concorrente… Uma machadada na nuca sem que percebesse, esta era a ideia que mais o fez sorrir… “Vá distribuir cartões no inferno agora seu desgraçado!”, continuou fantasiando…

Sentia-se como o dono da cidade, não se preocupava com a repercussão ou as consequências… mas aquele advogado também era jovem e bem sucedido e pela primeira vez ele poderia ter problemas, então tinha que pensar em um plano perfeito, sem testemunhas ou pontas soltas… não era como esfaquear um mendigo ou esquartejar uma prostituta… No final do dia, assim, sentou-se em frente à televisão desligada, ligou seu som e começou a formular seu plano para atrair o rival ao seu AP sem que ninguém visse…

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