Professor (Fluxo de consciência)

Sanzio_01_cropped
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Texto escrito em algum momento de 2019:

Em uma madrugada qualquer as drogas me impedem de dormir e a moral me impede de sair beber em uma quinta-feira… o meu trabalho da semana, bem feito ou não, sempre vem carregado de muitas dificuldades e eu nem estou falando das adversidades que a vida proporciona, mas sim, de me enquadrar em um modelo completamente falido… eu queria mesmo acreditar nesse sistema de educação, queria acreditar que existe um argumento lógico válido para esse tipo de aula expositiva, que contempla toda diversidade da juventude e infância, mas o modelo que me é imposto me deixa absolutamente constrangido… e os motivos são vários

A simples ideia de ser algum tipo de canal de conhecimento, uma enciclopédia humana, um “doutrinador” ou formador de opinião me oprime e além disso, cobrar esse tipo de atitude me deixa ofendido… é muito desconfortável pensar que eu tenho que formar “pais de família” ou “cidadãos de bem” pelo simples fato de que nem uma dessas duas figuras idealizadas existe! Pior ainda, eu não tenho nenhuma pretensão em ser ou incentivar a formação desse horizonte, porque é uma ideia muito bizarra, arcaica, retrógrada e anti-democrática… O mundo, as ciências, as artes oferecem a todos nós experiências sociais incríveis, e a educação enterra a maioria delas em nome de uma… “ser alguém na vida”…

Fica muito claro divagando sobre isso que não faz nenhum sentido ir atrás de um aluno para cobrar disciplina… impor princípios, gostos, padrões estéticos… menos ainda quando eles são pautados por visões do século XX! Se não for viagem demais, o mundo parece estar em outra… a pedagogia global trabalha em outra frequência, a ética, enquanto objeto de estudo, é definida a partir de outros pontos… a base das relações sociais é distinta, os conceitos de liberdade e (des)igualdade foram reclassificados, mas aparentemente nada disso atinge os professores… nós precisamos continuar apertando as porcas na esteira infinita dos “tempos modernos”… supostamente “formando todas as outras profissões”… oferecendo um futuro… sustentando a visão de valorizar um ser humano, ou idealizar, pelo seu valor econômico…

O que fazer então? Fica o questionamento… Continuar estudando? Seguir focado no mantra do ET bilu e buscar conhecimento copiosamente? Burlar o sistema e mostrar aos estudantes que eles são a próxima geração de fudidos? Na verdade… não faço a mínima ideia! A única certeza é que continuar com a mesma função cansativa de ser enxugador de gelo não funciona e não anima mais… Nessa loucura que o sistema de educação pública se tornou, ou trabalhamos pelos alunos, ou pelo Estado, os dois não rola mais!

2 comentários em “Professor (Fluxo de consciência)

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