BAIÚCA (Conto)

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créditos: https://pixabay.com/pt/photos/copo-americano-fundo-do-copo-578956/

Palavras encontradas em guardanapos de um bar qualquer sem identificação…

“Há anos que eu escondo esse sentimento, mas precisa tirar esse peso das minhas costas, resolvi escrever para a posteridade, mas não sei também se vou ter coragem de divulgar, porque tenho a sensação real de que meus gostos e costumes são um pouco estranhos, ou eu sou o estranho, ou então, é o resto do mundo que é. Porque nesses meus felizes anos de vida, a renda que eu conquistei fazendo uns bicos por aí eu gosto de gastar nos botecos mais zoados, com a galera mais underground “horrorshow”.

Eu curto mesmo é curtir o fim de semana com meus venenos cilindricos, gritar a toa sozinho na rua sem motivo, correr da polícia sem que não tenha feito nada de errado (se é que esse conceito tem algum sentido), entrar em briga com uns doidão o dobro do meu tamanho, beber do mé mais vagabundo da baiúca do Seu Luiz e acordar dentro de um caixa automático sem lembrar como fui parar lá, comer o dog mais barato da cidade com ketchup de procedência extremamente duvidosa diluído na água. Porque igreja e botequim gourmetizado cheio de atrativo não é pra mim, muito cidadãos de bem junto… me dá pavor.

Evito o máximo que posso shopping center com enfeites de natal. Supermercados e corredor de chocolates tem me gelado a espinha, desenvolvi pânico desses lugares, uns papos nada a ver de tirar a liberdade em nome da liberdade. Toda sexta, quando eu saio do trampo que estiver, corro pra cá, no único lugar que me sinto realmente seguro, porque aqui tem cara que foi preso, que tem comércio de proíbidos, tem comida que o governo desautorizou, mas não tem nenhum cartão de crédito estourado e nem investidor que ganha menos do que investiu.

Aqui eu me sinto normal, só mais um fudido que tem consciência que tá fudido, junto de amigos que sabem que também estão. Aí sim a gente faz coisas de gente…. fudida…. E ri bastante disso. Fim de semana passado fomos pra um festival punk de cincão a entrada, mais de dez bandas fazendo a gente bater a cabeça e ostentar os coturnos – o mesmo dos últimos três aliás. Porque não vira… gastar três dígitos e pra assistir um sucesso gringo que eu escuto a hora que quiser no fim.

Acho que vou parar de ficar escrevendo merda, senão vou acabar comprometendo uns brother… apesar de que tenho uma certa segurança de que ninguém vai se quer encontrar essas linhas e se achar, vai ser outro doidão fudido que deve se identificar. Essa galera do bem é do mal demais pra chegar aqui e se cabe uma frase de efeito tenho mais medo da expansão dessa turma que da disseminação de um vírus que tem sido notícia por aí… pra ser mais sincero ainda, tenho a sensação que aqui na nossa birosca” do dia a dia, estamos a salvo de ambos…

3 comentários em “BAIÚCA (Conto)

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